SOBRE TER LIDO CÂNTICO DOS CÂNTICOS (OU CANTARES DE SALOMÃO)


Cântico dos cânticos é o 22º livro do Antigo Testamento e sua autoria é destinada ao rei Salomão. O livro é escrito em forma do gênero textual poema, no qual Salomão e Sulamita (ou Salomé) dialogam um se declarando amorosamente para o outro. Vale salientar que o livro é composto por 8 capítulos.
Sulamita foi a preferida esposa de Salomão. Como se sabe, à época a poligamia era explícita e aceita, o que não acontece nos dias atuais (ao menos no Brasil). É possível saber que Sulamita é negra e sofre racismo pelo seu tom de sua pele. Onde se lê: “Mulheres de Jerusalém, eu sou morena, porém sou bela como as cortinas do palácio de Salomão” [...].Ct.1:08 Percebe-se aí um momento de desabafo de Sulamita. 
O livro é cheio de metáforas e comparações. Onde se lê:
1 – “O meu amado é como uma gazela” Ct. 2:09;
2 – “Os seus cabelos ondulados são são como um rebanho de cabras, descendo as montanhas de Gileade” Ct. 4:1;
3 – “Os seus dentes são brancos como ovelhas com a lã cortada que acabaram de ser lavadas” Ct. 4:02;
4 – “O seu umbigo é uma taça onde não falta vinho” Ct. 7: 02.
Cantares é todo produzido por metáforas e comparações. Acima há somente uma pequena demonstração.
Salomão presenteia muito Sulamita: “Vamos fazer para você uma corrente de outro toda enfeitada de prata” Ct.1:11. Apesar de ser tão querida e amada por Salomão, Sulamita sente-se insegura e ciumenta:
“Mulheres de Jerusalém, prometam e jurem pelas gazelas e pelas corças que vocês não vão perturbar o nosso amor” Ct. 2:07;
Salomão em Ct. 2:14 mostra o amor que sente por Sulamita ser reservada: “Você está escondida como uma pomba na fenda de uma rocha”.
Embora Sulamita seja ciumenta e àspera, quando o assunto é o seu amor Salomão, ela se mostra totalmente convicta e segura: “O meu querido é meu e eu sou dele” Ct. 2:16.
Como todo amor avassalador e tórrido, há desencontros entre Salomão e Sulamita, causando a saudade que todo amor “verdadeiro” é submetido: “Meu querido, volte depressa [...]”. Ct. 2:17; “noites e noites na minha cama eu procurei meu amado, porém não o encontrei” Ct. 3:01. É possível notar uma intertextualidade dessa saudade sentida por Sulamita no novo sigle de Ivete feat. MC Livinho[1][2]. Trecho da música:



[1] Notícia sobre a música: https://g1.globo.com/musica/noticia/ivete-sangalo-lanca-clipe-de-cheguei-pra-te-amar-musica-em-parceria-com-mc-livinho.ghtml
[2] Para escutar no Youtube https://www.youtube.com/watch?v=Yb2GwmmLgtw

“Chega de saudade
Quero sentir seu perfume
'Tô de malas prontas pra felicidade
Correndo pra te ver
Pra ficar com você
Amor de verdade
Não acaba, não
Mesmo que a distância às vezes atrapalhe”
O rei Salomão[1] “fazia as vontades” de Sulamita. Vejam os presentes dados a ela:




[1] “Mulheres de Sião, venha ver o rei Salomão! O rei Salomão está usando a coroa que recebeu de sua mãe no dia do seu casamento, naquele dia do seu casamento, naquele dia de tanta felicidade”. Ct. 3:11.
“A liteira que o rei Salomão mandou fazer era de madeira da melhor qualidade. As suas colunas eram cobertas de prata, e o seu teto era de tecido bordado a ouro. As suas almofadas, forradas de fino tecido, foram feitas com carinho pelas mulheres de Jerusalém”. Ct. 3:10.
Sulamita usa véu e isso encanta Salomão, pois ele, naquele contexto, a mulher deveria ser totalmente “guardada” para se expor somente para o seu marido. Onde se lê: “[...] o seu rosto corado brilha atrás do véu” Ct. 3:03.
Algo me faz questionar: Como era este relacionamento entre Sulamita e Salomão? Ele o chama de namorada: “Como são deliciosas as suas carícias, minha namorada, minha noiva” Ct. 3:10. Provavelmente, eles não se viam sempre, uma vez que Salomão, enquanto rei, deveria ter inúmeras tarefas e somente em momentos de descanso ele ia ver sua amada Sulamita.
O doutor em Estudos Hebraicos, licenciado, e pós-graduado em Letras e Teólogo Edson nunes, revela, em uma entrevista ao Consultório de Família, apresentado por Darleide Alves, que o jardim mencionado por Sulamita é uma metáfora para vagina. Vejamos, então:
“Levanta-se, vento norte! 
Venha, vento sul!
Sopre sobre meu jardim [1]e encha o ar de perfume.



[1] Conforme Nunes (2006), “jardim” é a vagina de Sulamita.
Deixe que o meu querido venha ao seu jardim e coma as suas melhores frutas” Ct.4:16.
Outra menção ao erotismo é a comparação que Salomão faz entre esperma e o leite[1]



[1] Também conforme Nunes (2006).
Vejamos:
“Já entrei no meu jardim, minha noiva, minha querida
Estou colhendo mirra e outras plantas perfumosas
Estou comendo favo de mel[1] e bebendo o meu vinho e o meu leite[2]” Ct. 5:01.



[1] No sentido denotativo: Esperma. (NUNES, 2006).
[2] No sentido denotativo: Esperma. (NUNES, 2006).
Na quarta canção, presente no capítulo 5, pode-se ler: “Eu dormia, mas o meu coração estava acordado. Então, ouvi o meu amado bater na porta[1]” Ec. 5:02.



[1] No sentido denotativo: vagina. (NUNES, 2006).

 No sentido denotativo, Sulamita e Salomão não moram juntos. Leia-se:
“Deixe-me entrar, minha querida, meu amor,
Minha pombinha sem defeito
A minha cabeça está molhada de sereno
E o meu cabelo está úmido de orvalho” Ct. 5:0 2.
No sentido conotativo, Nunes (2006) afirma que Salomão, usando metáforas, descreve uma relação sexual entre ele e Sulamita.
O relacionamento de cheia de altos e baixos. Sendo assim, Sulamita, por vezes, ficava em casa sozinha e esperava Salomão chegar. Porém, algo deve ser denunciado: A violência contra a mulher. Onde se lê:  “O guarda que patrulhavam a cidade me encontraram: Eles me bateram e me machucaram; e os guardas das muralhas da cidade me arrancaram capa” Ct. 5:07. Isso é algo que ocorre muito em nossa sociedade: As mulheres ainda estão sob o domínio patriarcal.
Falando em violência contra a mulher, houve uma campanha em 2008 com a temática: Deixa ela trabalhar. Esta campanha denunciou os assédio que as mulheres (de qualquer classe social) sofrem[1]. O Mc Binho fez uma homenagem, à sua maneira, com o música “deixa elas trabalhar”[2]. Leia-se:



[1] Para maiores informações: http://www.purepeople.com.br/noticia/-deixa-ela-trabalhar-campanha-contra-assedio-reune-jornalistas-saiba-mais_a221454/1
[2] Música retirada do YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=LM3zLrw5srk
“E quando nós faz a pergunta:
Tu escolhe o pau tu senta
Tu escolhe o pau tu chupa
Tudo, tudo, tudo puta” 

Em um dado momento, os intérpretes defendem as “putas” (garotas de programa). Leia-se:
“Mas se for falar de puta, vamos falar bem delas
Vamos falar bem delas, viado
Vamos falar bem delas”
A questão da prostituição é latente no funk de Mc Binho. Ele defende totalmente a profissão.
Onde se lê:
“Não peita
Respeita ela
Por elas eu tenho respeito
Shortinho que mostra a bunda
Decote que mostra o peito
 Puta é uma profissão comum
Ganhando várias de $100
Deixa as neném (2x)
Deixa as puta trabalhar
Nunca atrapalhou ninguém”.
Sulamita é questionada o que há em Salomão para que ela o ama tanto. Onde se: “O que é que ele tem de tão maravilhoso?” {...} Ct. 5:09. E ela responde à altura:
“Entre dez mil anos, o meu amado é o mais bonito e o mais fortes” Ct. 05:13. Neste fragmento, podemos citar o adágio popular: Quem ama o feito, bonito lhe parece.  Ninguém pode negar que o amor é “cego”. Além disso, não podemos negar a subjetividade do amor (es).
Sulamita é muito admirada pelas mulheres de Jerusalém, uma vez que ela é a mais amada do rei. Ademais, é possível afirmar que ela é feliz e muito elogiada. Onde se lê:
“Todas as mulheres olham para a minha amada e dizem que ela é feliz; rainhas e concubinas a elogiam [...]”.
Em conclusão, é notável a felicidade de Sulamita, quando ela diz: Eu sou do meu amado e ele é meu”. Ct. 7:10.
Referência:
 Bíblia caminho – desafio, orientação e crescimento para o jove. Barueri, SP: Sociedade bíblica do Brasil, 2011. 

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